Investimento Anjo como opção de carreira

Há alguns anos passei por um processo de transição de carreira. É um processo interessante: você é estimulado a reaprender após vários anos de vida executiva como fazer coisas básicas tipo estruturar um currículo de forma mais assertiva.

Muitas pessoas passam por esse tipo de processo, e o que antes era algo destinado a altos executivos em final de carreira, hoje tornou-se corriqueiro em qualquer nível que você esteja na organização

O que muitas pessoas não levam em conta é que no mundo atual, carreira é temporário. Já se foi o tempo que você entrava em uma carreira e ficava nela até aposentar. E hoje inclusive é comum termos mais de uma carreira em paralelo.

Foi assim que comecei investindo em startups. E é algo que recomendo sobremaneira aos meus amigos que estão querendo entrar nessa vida de investidor anjo.

No início, se você tem poucos investimentos, seu envolvimento em termos de tempo pode ser bem controlado e você vai aproveitar esse novo meio para duas coisas: a) Networking – com certeza você vai conhecer pessoas muito interessantes e vai gerar atenção por sua empresa e b) Inovação aberta – como executivo você vai poder abrir as portas da sua empresa para startups que querem prestar serviços para ela.

Para se dedicar ao investimento anjo em tempo integral, no entanto, você precisa estar atento a pelo menos dois pontos importantes dessa carreira:

• Não há a garantia de renda recorrente: como investidor anjo você não vai receber remuneração recorrente pelo seu trabalho. Na maioria das vezes você será convidado a trabalhar pro-bono ou em troca de participação na startup, que só vai se materializar quando houver uma saída. Então você precisa ter uma fonte de renda recorrente alternativa que consiga atender às suas necessidades, afinal todo mundo tem conta para pagar!

• A tentação é grande de sair investindo dinheiro em muita coisa diferente, porque você vai ver startups interessantíssimas, com conceitos disruptivos…e de repente você comprometeu muito dinheiro em algo que tem alto risco e liquidez baixa. É muito importante portanto estabelecer um limite para os seus investimentos em startup, e respeitar esse limite, que não deve passar de 10% do seu patrimônio líquido na minha opinião. Importante também é estabelecer uma “tese de investimento”, ou seja, onde você vai investir, qual estágio, que setores, e também onde você não vai investir. Assim fica mais fácil você dizer não quando a tentação de investir for maior que a razão!

Tomando esses cuidados, é uma carreira fascinante, que não tem rotina, onde todo dia tem uma tecnologia nova sendo criada para solucionar um problema real… você vai se sentir muito mais novo e realizado profissionalmente!

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